As nações que participam da 28ª Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU (COP28) em Dubai aprovaram um roteiro para a transição dos combustíveis fósseis. Embora isso represente um progresso no esforço global para combater a mudança climática, o acordo não atende à demanda de longa data por uma eliminação completa do petróleo, carvão e gás.

Chefe da ONU defende a eliminação gradual dos combustíveis fósseis

António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas, ressalta a necessidade fundamental de acabar com a era dos combustíveis fósseis, enfatizando os princípios de justiça e equidade. Apesar da oposição a uma aparente referência a uma eliminação gradual, Guterres afirma a inevitabilidade dessa transição e espera que ela ocorra antes que seja tarde demais.

Negociações e resultados da COP28

Os procedimentos da COP28 se estenderam por horas extras devido às intensas negociações sobre se o documento final deveria solicitar explicitamente uma “redução gradual” ou “eliminação gradual” dos combustíveis fósseis. Essa questão polêmica tem sido um ponto focal de discordância entre ativistas, nações vulneráveis ao clima e países maiores com interesses particulares.

Principais conquistas e compromissos

1. Compromisso de triplicar a capacidade de energia renovável e dobrar a eficiência energética até 2030.

2. Progresso na adaptação e no financiamento, incluindo a operacionalização do Fundo de Perdas e Danos.

3. Um apelo urgente para aumentar o apoio financeiro às nações vulneráveis que lutam contra o aumento do nível do mar e o ônus da dívida.

Perspectiva do chefe do clima da ONU

Simon Stiell, chefe do clima da ONU, reconhece o progresso tangível na COP28, mas enfatiza que as iniciativas realizadas devem ser vistas como um ponto de partida, não como uma conclusão. Ele enfatiza a urgência de abordar o principal desafio climático da humanidade – a dependência de combustíveis fósseis.

Destaques e próximos passos

1. Estabelecimento do Fundo de Perdas e Danos para apoiar os países vulneráveis ao clima.

2. Compromissos financeiros totalizando US$ 3,5 bilhões para reabastecer o Fundo Verde para o Clima.

3. Anúncio de financiamento adicional para o Fundo para os Países Menos Desenvolvidos e o Fundo Especial para Mudanças Climáticas.

4. O Banco Mundial se compromete com um aumento anual de US$ 9 bilhões para projetos relacionados ao clima (2024 e 2025).

5. Compromisso de resfriamento global endossado por 66 países.

Reações e planos futuros

Enquanto alguns participantes expressaram aprovação dos resultados, representantes da sociedade civil, ativistas climáticos e pequenos países insulares em desenvolvimento expressaram insatisfação. O Azerbaijão foi anunciado como sede da COP29, programada para 11 a 22 de novembro do próximo ano, após a retirada da proposta da Armênia. O Brasil se oferece para sediar a COP30 na Amazônia em 2025.

Reações e críticas mistas

Apesar dos momentos de aplausos, nem todas as delegações estão satisfeitas com o acordo final. Os pequenos países insulares em desenvolvimento lamentam a percepção da falta de uma correção de curso decisiva e expressam decepção com o que consideram avanços incrementais.

Harjeet Singh, diretor de estratégia política global da Climate Action Network International, aplaude o maior foco nos combustíveis fósseis, mas critica a existência de brechas e a hipocrisia das nações ricas que estão expandindo suas operações com combustíveis fósseis.

Em resumo, embora a COP28 seja reconhecida como um passo positivo, persistem os desafios para se conseguir uma transição rápida e equitativa para as fontes de energia renováveis.

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