A intensificação das mudanças climáticas alimenta as temperaturas extremas em todo o mundo.

A onda de calor mortal que está batendo recordes em todo o mundo deve persistir até agosto, alerta John Nairn, consultor sênior de calor extremo da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

A previsão vem na esteira de um verão definido por altas temperaturas implacáveis na América do Norte, Ásia, norte da África e Mediterrâneo, com graus acima de 40 Celsius (104 Fahrenheit) por um longo período.

Ondas de calor intensas estão se tornando mais frequentes e predominantes em todas as estações. “Estamos observando uma tendência de aumento das temperaturas globais que contribuirá para que as ondas de calor aumentem em intensidade e frequência”, afirmou Nairn. “Temos indicações bastante claras de que elas já estão crescendo na primavera.”

Esse clima escaldante tem prejudicado gravemente milhões de vidas em todo o mundo, provocando crises de saúde e causando mortes. Atualmente, o sul da Europa está enfrentando uma onda de calor recorde em meio à alta temporada de turismo de verão, um alerta severo para as autoridades sobre o aumento do risco de problemas de saúde. Nos Estados Unidos, um calor perigoso se estende do sul da Califórnia até o extremo sul, enquanto o Oriente Médio também sofre com as condições de calor escaldante.

A necessidade urgente de uma eliminação global dos combustíveis fósseis

A preocupação global está aumentando não apenas com o impacto imediato do calor, mas também com sua indicação clara de um mundo que está sofrendo com as mudanças climáticas. Espera-se que nas próximas negociações climáticas da ONU haja uma pressão renovada sobre as nações para que eliminem gradualmente o consumo de combustíveis fósseis, uma das principais causas dessas alterações climáticas prejudiciais. A União Europeia, com 27 membros, lidera o apelo por um acordo internacional sobre essa questão fundamental.

“Há evidências muito fortes de que, se eliminássemos os combustíveis fósseis, reduziríamos uma das principais contribuições para o que estamos vendo”, observou Nairn, enfatizando os possíveis benefícios de tal ação. Entretanto, a oposição a essa proposta vem de países com recursos significativos de petróleo e gás.

Apesar dos desafios, a urgência da situação é clara. A contínua onda de calor global serve como um forte lembrete das crescentes ameaças impostas pelas mudanças climáticas, exigindo ações rápidas e decisivas. Como conclui Nairn, “Não podemos reverter a situação rapidamente, mas certamente podemos agir”.

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